Produtos 'mata-germes' podem alimentar resistência antimicrobiana, alertam cientistas

  • 06/04/2026
(Foto: Reprodução)
Lenços umedecidos podem aumentar a resistência antimicrobiana. Freepik Está muito quente, você andou o dia todo e decide: um sorvete é a melhor solução para aliviar o calor. Mas comer sem ter como lavar as mãos nem sempre é uma boa ideia. E aquele álcool em gel que você leva por precaução na bolsa parece outra ótima escolha para higienizar as mãos antes de se lambuzar no sorvete. Muitas vezes sem ter como usar água para lavar as mãos na correria da rua, lenços, sprays e outros produtos "mata-germes" surgem como soluções ideais para evitar qualquer contaminação. Mas, ainda que esses produtos possam ser muito úteis em uma emergência, seu uso constante pode levar a um problema sério: a resistência antimicrobiana. VEJA TAMBÉM: Veja os vídeos que estão em alta no g1 Um novo artigo publicado na revista científica "Environmental Science & Technology" alerta que esses itens utilizados no cotidiano estão contribuindo silenciosamente para o aumento global da resistência das bactérias. "Estratégias globais contra a RAM têm focado em hospitais e fazendas, deixando de lado produtos de uso cotidiano nas casas que também podem contribuir para a resistência", afirma a autora sênior do estudo e professora da Universidade de Toronto, Miriam Diamond. Ela detalha que, diariamente, resíduos de sabonetes antigermes, desinfetantes e lenços umedecidos são descartados incorretamente e acabam nos sistemas de esgoto. Isso cria condições ideais para que bactérias se adaptem e se tornem mais difíceis de serem eliminadas, o que agrava um problema de nível de saúde global. ➡️Entre 1990 e 2021, infecções resistentes a medicamentos causaram mais de 1 milhão de mortes por ano – número que pode chegar a 2 milhões anuais até 2050. LEIA TAMBÉM: Vírus 'espionam' sinais uns dos outros e podem ser enganados por rivais, mostra estudo 'Germes de academia': veja quais são os aparelhos mais contaminados e quais as dicas para evitar problemas Benefícios limitados e impactos para o ambiente O trabalho destaca que, ainda que esses produtos sejam vendidos frequentemente como boas opções para reforçar a proteção contra germes, é preciso chamar a atenção para a falta de benefício comprovado para a saúde pública em muitos casos. Por outro lado, o que vem se confirmando a cada novo estudo são os impactos das substâncias que compõem esses artigos no meio ambiente. O cloreto de benzalcônio, uma dessas substâncias, por exemplo, pode levar a: Alteração da estrutura de comunidades microbianas Favorecimento de espécies resistentes Resistência cruzada a importantes antibióticos De acordo com os pesquisadores, atualmente, ele já é detectado em esgoto, águas superficiais, solos, sedimentos e alimentos em todo o mundo. Eles ainda alertam que as evidências mostram que muitos dos chamados biocidas persistem no ambiente, promovem a resistência antimicrobiana e facilitam a disseminação de genes de resistência. Esterilização x assepsia: saiba quando a limpeza contra germes é essencial e quando vira 'paranoia' Necessidade de ações globais Diante do cenário identificado pelo grupo, eles recomendam uma série de ações para tentar reduzir os riscos dessas substâncias à saúde. Entre as medidas, estão: Reconhecimento global: incluir biocidas de produtos de consumo nos planos globais contra a RAM, com metas claras de redução e monitoramento ambiental. Políticas nacionais: restringir o uso desses ingredientes quando não houver evidência de eficácia. Transformação da indústria: incentivar formulações mais seguras e sustentáveis, evitando biocidas desnecessários. Ações individuais: quando necessário desinfetar, optar por alternativas como álcool ou peróxido de hidrogênio, que têm menor potencial de promover resistência e são igualmente eficazes. Rebecca Fuoco, autora principal e doutoranda na Universidade Johns Hopkins, afirma que o uso excessivo de biocidas nesses produtos é uma oportunidade fácil de agir no combate à resistência antimicrobiana. "Ao eliminar aditivos antibacterianos desnecessários, podemos reduzir a poluição química, proteger a saúde pública e ajudar a desacelerar a disseminação de superbactérias", destaca.

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/04/06/produtos-mata-germes-podem-alimentar-resistencia-antimicrobiana-alertam-cientistas.ghtml


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