Quatro escolas empolgam a Sapucaí na segunda noite de desfile do Grupo Especial do Rio
17/02/2026
(Foto: Reprodução) Segunda noite de desfile do grupo especial do Rio teve Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca
Na segunda noite de desfile do Grupo Especial do Rio, Mocidade, Beija-Flor, Viradouro e Unidos da Tijuca levaram para a avenida o rock, o candomblé, o batuque do samba e a literatura.
Mocidade
Mocidade
Jornal Nacional/ Reprodução
A Mocidade abriu o segundo dia de desfiles reverenciando o rock e a força feminina de uma das artistas mais criativas da música brasileira. Rita Lee foi cantada como a mais completa tradução de São Paulo. A capital, aliás, esteve representada na comissão de frente da escola.
“Ela é muitas e, por ser muitas, ela é singular. Não há nada igual a Rita”, afirma a atriz Mel Lisboa.
Pela avenida passaram referências ao tropicalismo, à cultura hippie e à reação da ditadura ao comportamento de Rita, que chegou a ser presa acusada de porte de maconha. Em um carro, a homenagem ao cão Orelha e ao amor da cantora pelos animais. O músico Roberto de Carvalho, marido de Rita, desfilou no último carro:
“Um caleidoscópio de memórias do passado, do presente e do futuro”, diz o músico.
Beija-Flor
Beija-Flor
Jornal Nacional/ Reprodução
Antes de entrar na avenida, novas estrelas, um novo esquenta. É a primeira vez em 50 anos que a escola desfila sem Neguinho da Beija-Flor, a voz dos 15 títulos da agremiação de Nilópolis.
“Tem que passar a bola para a nova geração”, afirma o baluarte Neguinho da Beija-Flor.
É a história do Bembé, considerado o maior candomblé do mundo, que nasceu na Bahia. O primeiro casal de mestre-sala e porta-bandeira foi apresentado ao público pela comissão de frente.
“São 30 anos na mesma escola, a nossa Beija-Flor, e 35 anos juntos”, conta Selminha Sorriso, porta-bandeira da Beija-Flor.
A dor da escravidão foi lembrada no terceiro carro com um capataz, mas a força e a fé do povo negro também. Sacerdotes do Terreiro do Mercado de Santo Amaro da Purificação, onde foi criado o Bembé, atravessaram a avenida no último carro, carregado com 2 mil litros de água. A água representava o axé, palavra igual a força no candomblé.
Viradouro
Viradouro
Jornal Nacional/ Reprodução
No carnaval do Rio, o mestre de bateria virou enredo.
“Uma honra para mim ser escolhido, ser homenageado na Unidos da Viradouro”, comemora Mestre Ciça.
“O carnaval está mais orgulhoso de si, está aprendendo a olhar para si mesmo, a se homenagear”, afirma Juliana Paes, rainha de bateria da Viradouro.
O apito que comanda a bateria virou o símbolo da apoteose. Mestre Ciça, tão acostumado a levar a bateria na ponta dos dedos, em 2026 teve uma dupla missão: reger os músicos e o público na Marquês Sapucaí. Parecia o fim do desfile quando Ciça foi colocado em uma cadeira de rodas. Um susto na plateia. Mas estava tudo planejado. Ele saiu correndo, pegou uma moto e voltou para o começo da Marquês de Sapucaí. Subiu em um carro junto dos seus batuqueiros. Em um show de luzes, todos de joelhos transformaram em rei quem faz a festa popular.
Unidos da Tijuca
Unidos da Tijuca
Jornal Nacional/ Reprodução
A Unidos da Tijuca contou a vida de Carolina Maria de Jesus, uma das primeiras e mais importantes escritoras negras do Brasil.
“Essa mulher é importante para a nossa educação, para a cultura, para o nosso país”, diz a atriz Maria Gal.
Carolina nasceu no interior de Minas Gerais. A história de Carolina Maria de Jesus foi contada como se fosse um livro. Um capítulo muito importante para o Brasil: a publicação de “O Quarto de Despejo”, em 1960, que revelou o talento da autora para o Brasil.
“A gente também está homenageando muitas Carolinas que vêm por aí dentro da Tijuca”, afirma a atriz Juliana Alves, madrinha da Unidos da Tijuca.
A escola chamou atenção para a desigualdade social vivida por Carolina. Uma mulher que dizia escrever para não se afogar nas palavras que guardava e transformou em literatura a própria história.
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