Trump diz usar aspirina acima da dose recomendada para ‘afinar o sangue’; medida é ineficaz e traz riscos

  • 07/01/2026
(Foto: Reprodução)
Menos Aspirina: recomendação é evitar o uso diário O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou em entrevista ao Wall Street Journal que vem tomando uma dose diária de aspirina maior do que a recomendada por seus médicos porque, segundo ele, não quer que “sangue grosso” passe pelo coração. “Eles dizem que aspirina é boa para afinar o sangue. Eu quero um sangue bem fino passando pelo meu coração”, disse o republicano, de 79 anos. A fala expõe uma noção bastante difundida entre leigos, mas que não corresponde ao que a medicina entende como prevenção cardiovascular. Cardiologistas ouvidos pelo g1 explicam que a expressão “afinar o sangue” é popular —e imprecisa— e que o uso indiscriminado da aspirina pode trazer mais riscos do que benefícios. “A aspirina não deixa o sangue mais fino nem mais ralo”, afirma o cardiologista Rodrigo Noronha, da BP – A Beneficência Portuguesa de São Paulo. “Ela é um antiagregante plaquetário: reduz a capacidade de as plaquetas se juntarem para formar coágulos. Isso não muda a viscosidade do sangue.” Pílulas de aspirina Patrick Sison/Arquivo/AP Photo O que a aspirina faz Na prática, o sangue não funciona como um líquido que pode ser ‘engrossado’ ou ‘diluído’ à vontade. "Existe um sistema de coagulação complexo, que precisa estar em equilíbrio", explica Henrique Trombini Pinesi, pesquisador da Unidade Clínica de Aterosclerose do Instituto do Coração (InCor) e cardiologista da Clínica Sartor. “A aspirina atua em uma etapa específica desse processo, inibindo a agregação das plaquetas, especialmente nas artérias. Fora das indicações corretas, esse equilíbrio pode ser quebrado.” Em termos simples, as plaquetas funcionam como “adesivos” do sangue: elas se juntam para estancar sangramentos, mas também podem formar coágulos indesejados dentro das artérias. A aspirina reduz essa capacidade de adesão. O problema é que, quando não há uma doença cardiovascular que justifique esse bloqueio, o organismo perde parte da proteção natural contra sangramentos, o que aumenta o risco de hemorragias —sobretudo no estômago, no intestino e, mais raramente, no cérebro. A ideia de “sangue grosso” costuma aparecer associada a problemas cardíacos, mas, segundo os médicos, alterações relevantes na viscosidade do sangue são raras e, em geral, ligadas a situações como desidratação grave ou doenças hematológicas específicas —não ao que a aspirina corrige. O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, em 29 de dezembro de 2025 REUTERS/Jonathan Ernst Quando o medicamento é indicado As diretrizes médicas atuais restringem o uso da aspirina à chamada prevenção secundária —casos em que a pessoa já teve infarto, AVC isquêmico, colocou stent nas artérias coronárias ou passou por cirurgia de revascularização do coração. “Para quem nunca teve um evento cardiovascular, o benefício é pequeno e o risco de sangramento pode ser maior”, diz Noronha. “Por isso, o uso preventivo de rotina deixou de ser recomendado para a maioria da população.” Segundo o médico de Trump, o presidente usa diariamente 325 miligramas de aspirina, dose acima da chamada baixa dose, mais comum na prática clínica. Mais dose não significa mais proteção Aumentar a quantidade do medicamento não amplia a proteção contra infarto ou AVC, alertam os especialistas, porque o efeito da aspirina sobre as plaquetas atinge um limite. “Depois de certa dose, não há ganho adicional na prevenção de coágulos, apenas aumento dos efeitos colaterais”, explica o cardiologista Henrique Trombini Pinesi. Com as plaquetas mais inibidas do que o necessário, o organismo perde a capacidade de conter pequenos sangramentos do dia a dia. É por isso que os efeitos adversos mais comuns envolvem o trato gastrointestinal, como gastrite, úlceras e sangramentos no estômago e no intestino. Em situações mais raras, mas potencialmente graves, pode ocorrer hemorragia cerebral. Fernando Medeiros Cavalcanti, cardiologista do Hospital Icaraí, ressalta que o problema se agrava quando o uso ocorre sem acompanhamento médico. “A aspirina é segura quando bem indicada e na dose correta. O uso excessivo ou abusivo pode levar a sangramentos importantes, anemia, lesões renais e, em situações extremas, complicações neurológicas.” Idosos, pessoas com histórico de sangramento gastrointestinal, pressão alta descontrolada ou que usam anticoagulantes estão entre os grupos que exigem ainda mais cautela. O alerta dos médicos Para os especialistas, declarações públicas que tratam a aspirina como um recurso simples para “proteger o coração” reforçam um entendimento errado sobre prevenção cardiovascular. “O sangue não precisa ser ‘afinado’”, diz Pinesi. “O que reduz o risco de infarto e AVC é controlar fatores como pressão alta, colesterol, diabetes, tabagismo e sedentarismo.” “A recomendação é clara: medicamentos que interferem na coagulação só devem ser usados após avaliação individualizada. Fora disso, o que parece proteção pode, na prática, aumentar o risco de complicações graves”, conclui. Trump ataca mais uma instituição dos EUA e demite diretora que defendeu vacinas

FONTE: https://g1.globo.com/saude/noticia/2026/01/07/trump-diz-usar-aspirina-acima-da-dose-recomendada-para-afinar-o-sangue-medida-e-ineficaz-e-traz-riscos.ghtml


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