TSE mantém cassação de ex-deputado estadual Renan Filho por compra de votos em Roraima
09/04/2026
(Foto: Reprodução) Renan Filho, ex-deputado estadual de Roraima.
Reprodução/Redes sociais
O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) manteve, de forma unânime, a cassação do mandato de Renan Filho (Republicanos), ex-deputado estadual de Roraima, por compra de votos nas eleições de 2018. A decisão ocorreu nesta quinta-feira (9), em Brasília.
O Tribunal também manteve uma multa de R$ 53 mil ao deputado, aplicada anteriormente pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) ao ex-parlamentar.
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Renan Filho foi eleito com 2.657 votos em 2018 para exercer o cargo de deputado estadual entre 2019 e 2022. Na época, ele chegou a ser cassado três vezes pelo TRE-RR por esse mesmo esquema, mas conseguiu recorrer no cargo.
Ao g1, Renan Filho informou que respeita a Justiça Eleitoral, mas ressaltou vai recorrer da decisão. Disse ainda que, por se tratar de um antigo, a legislação atual assegura a elegibilidade dele. Ele reforçou que segue confiante na Justiça.
A defesa tentava reverter a punição alegando falta de provas e a ausência de participação direta do político nos atos irregulares. No entanto, o TSE concluiu que o parlamentar foi beneficiado por um esquema estruturado de pagamento a cabos eleitorais e eleitores.
Como o esquema funcionava
Segundo as investigações, o grupo operava sob uma hierarquia com valores tabelados. As provas apontam que os cabos eleitorais, chamados de "líderes", recebiam em média R$ 250 para organizar grupos de pessoas. Já os eleitores, tratados como "liderados", ganhavam R$ 100 pelo compromisso do voto.
Para ter certeza de que o voto estava garantido, a equipe de campanha fazia uma espécie de "auditoria". Eles elaboravam listas detalhadas e faziam ligações telefônicas simulando pesquisas de intenção de voto. O dinheiro só era entregue para quem confirmasse o nome de Renan Filho.
Provas e recursos
O relator do caso, ministro Villas Bôas Cueva, afirmou que as provas são robustas. A investigação reuniu interceptações telefônicas, mensagens e documentos comprovando o monitoramento dos eleitores antes do pagamento.
“O caso revela complexo esquema de captação ilícita de sufrágio”, frisou o magistrado.
A Justiça Eleitoral considerou que as provas não deixam margem para interpretar os pagamentos como "mera ajuda de custo" de campanha. Para o relator, a estrutura feriu a igualdade na disputa eleitoral.
Os advogados de Renan Filho tentavam reverter a condenação argumentando fragilidade nas provas e ausência de participação direta do candidato, mas o recurso foi rejeitado.
Histórico no TRE-RR
Renan Filho já havia sido condenado e teve o mandato cassado pelo Tribunal Regional Eleitoral de Roraima (TRE-RR) ainda no final de 2019. Ao longo dos anos, o parlamentar sofreu outras derrotas na corte regional pelo mesmo motivo.
Veja matéria sobre primeira cassação:
Deputado Renan Filho tem mandato cassado pelo TRE-RR
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